15.8.07

dizem que a chan marshall vem ao brasil para tocar no tim festival. se for verdade (e todos nós esperamos que sim!) eu gostaria muito de ver uma versão ao vivo da sensacional great waves, do album cinder. mas esse disco não é da cat power, não! é de uma banda sensacional de post-rock chamada dirty three.

utilizando instrumentos como banjos, bandolins, guitarras, violoncelos, violinos e baixo, a banda cria uma sonoridade atmosférica com suas dinamicas em baixo volume e um som bem ousado que, em alguns momentos, lembra o também ótimo explosions in the sky e, em outros, o colossal godspeed you black emperor.

aqui vai o link do clipe de great waves: http://www.youtube.com/watch?v=EHEkzLQyG48

6.8.07

após ter colocado mais de meia hora de músicas de video-game da ultima vez que discotequei na festa a maldita, percebo o crime que cometi ao não ter colocado nenhuma música do clássico castlevania. principalmente do jogo que está aí ao lado, na foto: a terceira edição da franquia, chamado carinhosamente de dracula's curse.

realmente, alguns compositores de trilhas de jogos de video-game, como o nobuo uematsu do final fantasy, podem ser chamados de gênios. eu realmente gostaria de saber quem foi o cara que fez as músicas do clássico da konami. porque decididamente ele é um ser iluminado.

fica aqui a dica.

3.8.07

apesar de não ter a grandiosidade de alguns outros títulos da série, final fantasy IX cumpre muito bem o seu papel: é um excelente rpg para o playstation (talvez, o melhor console de rpgs de todos os tempos). acabei de terminar o jogo e, embora eu tenha ficado um pouco decepcionado com alguns aspectos da jogabilidade e a história seja um pouco previsível, ele está muito acima da maioria de role playing games disponível no mercado.

a história começa com zidane, um garoto loiro com rabo de macaco, e sua trupe do teatro planejando o rapto da princesa garnet. eventualmente, como em todos os final fantasies, o grupo acaba tendo que salvar o mundo, e o que parecia ser apenas uma história do conflito entre interesses políticos acaba tomando ares sobrenaturais épicos.

a história, porém, nunca é surpreendente: você sempre tem uma vaga idéia do que vai acontecer e o final do jogo é feliz, ao contrário do fantástico final fantasy X. existem algumas perguntas que ficam logo que o final acontece, mas talvez a square tenha deixado isso para a imaginação dos gamers.

final fantasy IX é um jogo nos moldes dos antigos final fantasies: estão de volta cristais, existe um black mage no seu grupo (e, talvez, um dos personagens mais legais do jogo) chamado vivi, o design dos personagens é todo em sd (super deformed) inclusive nas cenas de fmv, os moogles andam pra lá e pra cá e ainda temos chocobos. porém, ao contrário do gigantesco final fantasy XII, esse jogo não me pareceu uma homenagem tão grande aos antigos jogos da série.

a jogabilidade é clássico final fantasy: turn-based-random-encounters. o jogo, porém, falha ao não ter um sistema de batalha coeso como aconteceu no final fantasy VII: o active battle gauge não funciona tão bem e mesmo após executar um comando ele pode demorar horas para acontecer. nisso, os inimigos já comeram teu couro. frustrante.

todas as habilidades especiais vem de itens, o que também é um pouco chato, já que você precisa ficar procurando por cada itenzinho fraco para obter algumas habilidades importantes, como loudmouth (que previne contra silence).

o jogo também é bem menor do que a maioria dos fantasies modernos: acabei de terminá-lo em apenas 35 horas, enquanto levei mais de 60 horas para terminar o final fantasy VII.

ainda assim, o jogo vale a pena, pois é bem divertido e square é aquela coisa: garantia de títulos de qualidade.

23.7.07

realmente, esse mês de julho foi todo harry potter: o quinto filme e o sétimo (e último) livro foram lançados para grande deleite de todos os fãs do bruxo. tendo já lido o livro e visto o filme, posso dizer o que achei dos dois e também fazer uma análise geral da história em si, visto que agora não teremos mais livros novos do bruxo.

harry potter and the deathly hallows é um livro muito mal escrito. parece que a autora j.k rowling estava com pressa para se livrar logo da grande pedra no sapato que se tornou harry potter e colocou de qualquer maneira idéias que já estavam prontas há anos - idéias, aliás, excelentes: o livro vale pelas ótimas referências e pela ação constante.

o livro realmente peca na descrição dos personagens - muitos deles parecem sem vida, supridos de qualquer tipo de sentimento humano (e não, não estou falando dos death eaters, que supostamente são frios e cruéis) - e na pouca ambientação.


aliás, a ambientação é um dos pontos fracos da autora. ao ver o quinto filme da série, harry potter and the order of the phoenix, pude perceber como o ministério da magia é completamente diferente daquilo que eu havia imaginado e isso não é por falta de atenção minha, e sim por descrições vagas dos ambientes em que se encontram os personagens. de qualquer maneira maneira, a ambientação é o melhor do filme.

chamem alfonso cuarón novamente! depois do excelente the prizioner of azkaban, nenhum outro diretor realmente conseguiu pegar o espírito do harry potter. o quinto filme da série é diferente do livro numa série de fatores importantes. os atores estão mal (e, mais uma vez, rupert grin, o ron, se destaca absurdamente frente aos outros) e o filme é confuso.

25.6.07

Este resumo não está disponível. Clique aqui para ver a postagem.

18.5.07

olhando as influências do elma, eles citaram uma banda que eu nunca havia ouvido falar chamada battles. fiquei um tempo sem pesquisar muito, até que há pouquíssimo tempo vi na pitchfork que eles lançaram seu primeiro album por agora - com uma estrondosa nota 9.1 e destaque na página principal do site! para os chatos da pitchfork darem uma nota tão alta para uma banda, é porque ela deve ser algo de sensacional; eis que fui atrás de mais informações e do som.

o que me chamou atenção é o cacife dos membros da banda: todos eles são músicos experientes e que tiveram atenção da mídia e do público com projetos anteriores. o baterista, por exemplo, tocava no helmet - uma bandas muito conceituada e aclamada pela crítica.

o battles foi formado em 2003 e já lançaram 2 EPs. mirrored é o primeiro album deles e que disco!!! existem influências claras de math-rock por todas as músicas, mas elas vão muito mais além: essa parece, realmente, ser a primeira banda a realmente conviver em bons termos com todos os avanços tecnológicos e digitais e usar o que eles têm de melhor a oferecer para o rock. parecem robozinhos fazendo sons junto com humanos, criando um ambiente sônico inteiramente novo que consegue ser ao mesmo tempo frio e visceral. o exemplo máximo disso está na fantástica atlas: a bateria acústica, quase tribal, duela lindamente com baixos e guitarras sintetizados e uma voz claramente digitalizada através de um pitch-shifter.

a primeira banda a realmente viver no século 21.

14.5.07

o myspace realmente é fantástico. além de ser uma ponte online entre você e seus amigos mais queridos, dá pra descobrir bandas e artistas sensacionais apenas fuçando um pouquinho. além disso, você ainda pode modificar seu perfil de acordo com seus gostos pessoais (isso significa que você verá um monte de lay-não-outs espalhados por aí, mas aí não é culpa do site) e colocar músicas preferidas no seu espaço para as pessoas ouvirem.

não tenho certeza exata de como fui parar no perfil do goran gora. talvez tenha sido fuçando através de amigos meus, talvez tenha sido fuçando perfis de outras bandas presentes no site. o que me chamou atenção desse carinha aí foi o fato de, além de ter mencionado como artistas-semelhantes o damien rice e o kings of convenience, ele ser da látvia. estranho não? pode crer que sim, mas o talento dele é real.

vale a pena escutar músicas bonitas feito the girl in the back e kids and figures. são de uma beleza pura - sem artifícios de gravação complexos, apenas a voz agradável de goran gora, seu violão e um sotaque muito charmoso.

9.5.07

uma das bandas mais sensacionais que ouvi nos ultimos tempos é o elma. eles são uma banda absurdamente energética de math rock com alguma estética metaleira que cai muito bem ao estilo. na verdade, a banda soa como indies tocando metal. o que é muito melhor do que metaleiros tocando metal, convenhamos.

o elma faz parte do acervo de bandas experimentais do (ótimo) selo de são paulo chamado amplitude. o site do label (amplitude.art.br) não diz muito sobre quase nenhuma das bandas que tem no cardápio: tudo que existe sobre o elma lá, por exemplo, é a formação da banda (onde os artistas não colocaram os sobrenomes! como vou saber quem é "rodrigo"?) e um release que está mais para uma declaração de amor a banda do que um informativo legal sobre o grupo. não existem músicas para download nem stream mas, ao fuçar algo na internet, descobri dois locais onde podemos contemplar os únicos lançamentos dos math-rockers: o myspace e o last.fm!

o myspace tem gravações da demo da banda; está mal gravado, mas dá para ver que os rapazes são talentosos. já o last.fm tem o EP na íntegra em stream e ainda dá para dar o download da primeira faixa do disco, a maldição encantada!

o EP do elma é algo de impressionante: urgente, caótico, com apenas 10 minutos em 5 músicas. ao escutar pela primeira vez o que mais me chamou atenção foi a excelente qualidade de gravação; se bem que isso não é novidade, sendo um lançamento da amplitude. logo após descascar as camadas e camadas de produção cuidadosa, o que achei foram composições magníficas, tempos quebrados - um som audacioso, feito para poucos.

como não se apaixonar?

9.4.07

muitos de vocês (ainda) não sabem, mas eu tenho uma banda chamada dj6. ela é motivo de grande orgulho pra mim. já temos um EP recém saído do forno e agora até um site .com.br! (www.dj6.com.br) como meu blog é sobre música e video-games, nada mais justo que eu falar um pouquinho da minha própria banda. e quem sabe, se você gostar, ir no nosso próximo show, dia 14 desse mês no casarão cultural dos arcos.

a banda começou quando bruno correia, o rapaz de óculos da foto aí em cima, estava com muita vontade de ter uma banda. mas muita mesmo. já discotecava numa festa que ficou famosinha aqui no rio chamada hang the dj, mas não era o suficiente. ele queria mais.

aí ele chamou um amigão dele chamado bruno fiuza. eles trabalhavam juntos, gostavam das mesmas músicas e até já tinham tocado num sarau. bruno fiuza resolveu topar, afinal desde a época do perla siete que ele não tinha uma banda maneira o suficiente para ele sair tocando por aí.

mas quem iria cantar? eis que apareceu o nome de julia vaz, essa menina da foto aí. diziam que ela cantava bem pra caramba, um talento desconhecido - coisa que ninguém realmente sabia. mas ela é gata, é uma artista gráfica do caralho, é amigona do bruno correia, então ela entrou no barco.

eu não me lembro muito bem como veio meu convite. acho que foi numa boate. o bruno já tinha me visto tocar guitarra numa banda que eu tive que era realmente uma barulheira só, chamada kmph. acho que ele me chamou porque gostou do que viu e porque temos influências musicais parecidíssimas.

e estava feita a dj6. para uma banda recém formada, até que tocamos um bocadinho em 2006 - dois shows no empório, um show na audio rebel, um show na fosfobox, e um show no mb estúdio. aliás, esse show no estúdio foi a despedida de nosso colega bruno fiuza, que resolveu largar as baquetas.

mas isso não nos impediu de entramos no estúdio do sal, que ele chama de drop d, para gravarmos nosso primeiro ep. eu produzi e, na época, achei que ficaria pronto rapidão. acabou que demorou uns seis meses pra ficar pronto, mas as gravações foram tranquilas e posso orgulhosamente falar que o disquinho ficou fodão.

daí o fred mendes, amigo meu há anos, baterista mineiro radicado no rio de janeiro, começou a tocar com a gente. e os ensaios foram ficando cada vez melhores até que ele entrou pra banda de vez depois do show excepcional que fizemos dia 31 na lapa, para lançamento do ep.

essa é a breve historinha da dj6. espero que você tenha gostado e vá nos ver dia 14 no casarão cultural dos arcos (av. men de sá 23, lapa). a casa abre as 22:00 horas :)

27.3.07

as vezes dá a maior vontade de ficar no frio, beber um vinho e aproveitar o fogo carinhoso de uma lareira. uma das melhores coisas para se escutar enquanto se aproveita momentos introspectivos é iron and wine, projeto musical desse barbudo aí do lado.

não se deixe enganar pela aparência: a voz de samuel beam é doce, quieta, quase um sussurro, caindo bem com as doces harmonias e melodias construídas, basicamente, por violões e alguns outros instrumentos inusitados como banjos e bandolins. ele faz parte de um grupo de artistas que trazem de volta o folk à cena músical, como joanna newsom e devendra banhardt, mas bebendo de algumas outras influências, fazendo com que seu som acabe lembrando mais kings of convenience do que os outros.

iron and wine faz parte do magnífico cardápio de bandas do selo sub pop: beam chamou atenção do bam-bam-bam da gravadora, jonathan poneman, logo após ter feito seu nome no underground com alguns discos caseiros, estéticamente lo-fi, lançados por volta de 2001.

o iron and wine já tem 3 albuns e cada um deles é uma excelente experiência, com destaque para o segundo, onde beam entrou num estúdio profissional para gravar pela primeira vez: our endless numbered days.

13.3.07

há uns dias atrás, um amigo meu me chamou para ir à sua casa tocar um violão - estamos com um projeto de tocar em barzinhos para tirar uma graninha e, quem sabe, umas lagriminhas de uma menininhas indies. esse parceiro meu tem o novo video-game da nintendo, o wii, e após tocarmos algumas músicas do broken social scene, do nada surf e do blonde red-head, jogamos um pouco e agora posso fazer uma análise de minha gaming experience.

o wii é sensacional. o video game é realmente pequeno e seu design é muito convidativo - ele poderia ter sido facilmente produzido pela apple inc. os joysticks (nunchuck e wii remote, o primeiro ligado no ultimo através de um pequeno cabo) são igualmente belos e ergonômicos. o que me chamou atenção foi o fato de que o nunchuck parece diretamente retirado do controller do nintendo 64 - até então, o melhor joystick que já tive o prazer de usar.

o video-game é todo pensado com a tecnologia wireless - ou seja, quase nenhum cabo te enchendo o saco. a resposta do wii remote é algo impressionante; realmente é quase imperceptível a latência entre movimento real e movimento na tela, se é que existe alguma. o jogo do wario é uma forma magnífica de como o wii remote pode ser utilizado de maneiras absurdamente originais e de como o controle reponde bem a todas as diferentes formas de jogabilidade.

o console estava conectado à internet através do sistema wireless existente na casa de meu amigo - e a internet funcionou muito bem até o video-game travar enquanto eu lia meu gmail. mas o simples fato de um console de jogos possuir uma interface tão bonita e funcional é um plus para a nintendo, embora tenha sido a primeira vez que eu tenha visto um videogame travar.

não tive a possibilidade de jogar vários jogos - incluindo o famoso zelda, onde eles transformaram o link num cara destro! - porém o wii sports, que acompanha o console, é um belo exemplo do que o video-game pode oferecer em termos de jogabilidade e diversão. até criar o seu mii (seu personagem virtual, que aparecerá em vários jogos do wii) é fantástico e proporciona momentos engraçados.

o nintendo wii, porém, é claramente um video-game que aposta no jogador casual e em jogos multiplayer. não vejo como o controle inovador pode realmente alterar a jogabilidade de games que já são em sua natureza imersivos, como rpgs à lá final fantasy. outro problema é a necessidade da compra de um classic controller (para jogar vários jogos geniais de mega drive, snes, nes, etc, a disposição no wii virtual console) a parte. ainda assim, é um video-game inovador e onde a nintendo finalmente conseguiu o que queria:

transformar-se na disney do mundo dos games.

13.2.07

eu sempre gostei de sunny day real estate. acho as melodias emotivas e passionais de jeremy enigk realmente cativantes. é uma banda tão legal ao ponto de já ter passado por quase todos os clichés existêntes do rock and roll - descoberta da religião e da espiritualidade, membros que vão tocar em bandas absurdamente mainstream e famosas (foo fighters, galera), discos que marcaram época e que ditaram a regra para uma série de bandas a seguir (infelizmente, eu acho que essas bandas não entenderam muito bem o que o sunny day realmente quis dizer), entre outras coisas - e não soar kitchy. mas eu só conhecia realmente o diary, primeiro album da banda, e alguns lados-b maravilhosos, como a música guitar and video-games.

eis que hoje escuto o disco de despedida dos caras, the rising tide, e fico absurdamente embasbacado com o som que chega a meus ouvidos. é difícil de explicar com palavras o quão grandioso esse album realmente é. eu estava pensando em compará-lo com discos épicos do indie rock como o transatlanticism, do death cab for cutie, mas ele é muito maior do que isso. existem momentos de esperança e aproximação ao ouvinte que lembram the shins e outros de puro rock and roll que flutua entre as maravilhosamente bem construídas linhas de guitarra e excelente produção musical.

o mais impressionante é que esse disco veio antes da referências que estou citando aqui. é um disco de belo indie rock, talvez como enigk sempre imaginou. e prova ainda mais como sunny day foi uma banda importantíssima para o rock mundial.

ah, se esses emos realmente entendessem o sunny day real estate...

29.1.07

vocês já jogaram super mario rpg? eu estava relembrando do jogo enquanto jogava o magnífico final fantasy XII, para playstation 2. o saudosismo e a nostalgia foi tanta que voltei ao snes para jogar essa aventura do mario e pude concluir, mais uma vez, que a square é mestra em fazer bons jogos de rpg - principalmente nos frutíferos anos 90.

o jogo começa como começam todos os outros marios existentes (e a maioria dos zeldas também!): a princesa toadsdoll é raptada pelo malzão do bowser e cabe ao nosso herói bigodudo (que mora convenientemente ao lado do castelo de seu antagonista) salvar sua amada. mas é exatamente aí que entra o dedo da square no meio - logo que o jogo começa, vemos mario numa visão isométrica onde todos os personagens são renderizados. ao enconstar num oponente, a tela do jogo muda para uma outra exclusiva para batalhas, bem como em rpgs tradicionais, onde podemos selecionar as ações de mário através de menus (turn based action, meus amigos).

as mudanças não param por aí: logo após quase resgatar a princesa, mario é chutado do castelo por uma grande espada com olhos esbugalhados (!!!) - e a história, que começa a ser lentamente desenvolvida, passa a ser a mais rica em um jogo do mario até hoje, com a introdução de dois personagens que são igualmente expressivos: mallon e geno. o jogo também faz referência a diversos clichês do mundo do encanador (como os tubos gigantes) de maneira divertida e criativa. o destaque vai para a personalidade de bowser, que na verdade é o maior bebê chorão.

quanto aos gráficos, são superbos - esse jogo mostra todo o potencial do antigo video-game da nintendo e também como a square prima sempre por jogos que são um deleite aos olhos. as animações são ótimas e todos os personagens são muito bem representados. como todo jogo em visão isométrica, você pode ter algum problema pulando de um obstáculo ao outro (a única coisa que fez landstalker me jogar o controle ao chão) mas a softhouse sobe dosar muito bem os puzzles e os mini-games, de maneira que o jogo nunca fica cansativo e os problemas desse tipo de visão podem ser relevados.

o som é a única parte do jogo que é instável: ao mesmo tempo que existem canções memoráveis como a da despedida de mallon, algumas músicas como a do navio fantasma me irritam profundamente, querendo desligar o som da tv (ou do pc). os efeitos sonoros são ótimos e salvam a parte sonora do jogo.

super mario rpg é um jogo que merece ser jogado por ter todas as qualidades de um grande rpg e também por rever vários conceitos e clichês do mundo do encanador. um dos melhores jogos do snes - e talvez o meu favorito.

27.12.06

2006 está chegando ao fim. esse foi um ano que escutei menos música nova que os outros: entrei fundo nos anos 90 e garimpei muitas coisas daquela época. ainda assim, dei uma escutada em algumas coisas que foram lançadas esse ano e já dá para falar um pouco sobre o melhor e o pior desses 356 dias tão ruins para (quase) todo mundo que eu conheço.

melhor disco: boris - pink

okay. o pessoal pode falar do excelente return to the cookie moutain, do tv on the radio, pode babar pelo drum's not dead do liars e pode até admirar o fato da joanna newson ter evoluído como poucos em seu segundo album. mas não teve disco mais divertido, visceral e interessante que o pink. é impressionante como o boris conseguem misturar um bando de influências diversas como shoegaze, thrash metal, indie rock, garage rock e ainda soar lívido e original. gol dos japoneses.

melhor show: tv on the radio

esse ano foi mais fraco em termos de show que 2005 - mesmo tendo visto showzaços como o do tortoise e do jens lekman. aliás, quase tudo é mais fraco quando estamos falando de arcade fire e wilco na mesma noite. ainda assim, dou graças a deus que encontrei uns colegas e consegui entrar, "no esquema", na tenda do tim festival: o show do tv on the radio foi fantástico. realmente eles fazem juz a tudo que dizem da banda.

vergonha do ano: pitchforkmedia.com

ok, não é bem música, mas o site mais querido dos indies começou a falar bem de bonde do rolê e cansei de ser sexy. nota 0.

22.12.06

a nintendo lançou, junto com seu wii, um serviço de download de roms de vários sistemas antigos. o novo console da empresa resgata clássicos como sonic the hedgehog, mario 64 e zelda (para nintendinho!) cada jogo custa de 1 dólar (100 wii points, jogos de nes) até 10 dólares (jogos de nintendo 64). dentre a primeira leva de jogos antigos que a nintendo disponibilizou no serviço, está um que me fez muito feliz na época: gunstar heroes.

ao ler sobre o serviço da nintendo, fiquei um pouco nostálgico e resolvi baixar o jogo para jogar aqui no pc. os emuladores de gênesis de hoje em dia conseguem emular perfeitamente o jogo e caras, que jogão! ele é um jogo de tiro à lá contra, só que muito mais frenético. acabei de terminá-lo em, talvez, apenas 20 minutos. por incrível que pareça, esse é um dos pontos fortes do jogo: ele nunca cansa ou fica repetitivo. os levels são todos muito bem dosados, e existem variações na jogabilidade sensacionais, como controlar um carrinho numa mina na segunda fase ou jogar um jogo de tabuleiro na quarta.

na época, o jogo foi reverenciado por fazer várias artimanhas gráficas teoricamente impossíveis para o genesis. gunstar heroes envelheceu bem: mesmo hoje os gráficos são ótimos e o design dos personagens, no estilo manga, é bem suscinto. os chefes de cada fase são grandes e imponentes e é impressionante ver o que o genesis podia fazer em termos de velocidade e gráficos se todas as softhouses realmente soubessem explorar o sistema como a treasure conseguiu.

a história do jogo não é lá muito profunda (mas nem precisa, afinal, esse jogo é run and gun): existem esses cristais na terra que dão energia a suas armas. essas pedras são roubados pelo "empério" (soa familiar?) e cabe aos irmãos red, green e blue resgatá-las. só que green é capturado e fica sob o controle dos bad guys. eis que sobre para red e blue salvar o mundo da ameaça. o final do jogo é um tanto quanto surpreendente, porque não sabemos o que realmente acontece com os heróis após a aventura.

gunstar heroes é uma prova de como a galera da squar...ops!, da treasure sabe fazer jogos. vale a pena para resgatar bons momentos do passado e se divertir pra caramba.

17.11.06

okay, final fantasy VII. sei que é um pouco complicado falar desse jogo, dado o número de hype existente até hoje (quase 10 anos após seu lançamento!), mas acabei de terminá-lo e preciso deixar minhas impressões sobre essa obra de arte que a square nos deixou.

a história envolve um ex-membro de uma guarda de elite, a soldier, chamado cloud strife. ele trabalha como mercenário e tem suas lembranças todas fragmentadas. cloud, logo após explodir um reator da cidade de midgar com seus companheiros/terroristas avalanche (que inclui uma amiga de infância de cloud chamada tifa lockheart) conhece aerith gainsborough (erroneamente "aeris" na versão americana do jogo) e você descobre que ela é uma ancient. a última. os ancients eram um povo que podia "falar" com o "planeta" e eventualmente eles encontram a terra prometida. aí o rumo do jogo muda e no fim você (cloud) tem que salvar o planeta das mãos do malvadão (e igualmente problemático) sephiroth.

lendo assim, não parece tão original né? é a velha história do mocinho problemático que precisa salvar o mundo e só ele pode fazê-lo. mas o jogo é rechado de detalhes e sutilezas que fazem a história ser uma das mais originais do gênero (até entra naquela onda de clones dos anos 90) - e se eu falar vou estragar. o mundo é um dos mais fieis e ousados já explorados num final fantasy, misturando chobocos e moogles (sim, os moogles existem em final fantasy VII, só que apenas no formato de materia) com uma realidade semi-cyberpunk.

dá para perceber como esse jogo é um divisor de águas: ele mostra todas as características de um rpg oldschool (como ter que procurar um bando de itens e realizar eventos sem ter o mínimo de noção por onde começar) misturado com o que se tornou clichê e comum nos rpgs de hoje em dia (cenas lindas de fmv, jogo fluido e suave, história longa). o único let down está nos controles: embora você se acostume com eles com o passar do jogo, eles são um pouco duros, principalmente na movimentação.

esse jogo também pavimentou o caminho para o (sofrível) final fantasy VIII: todas as cenas de batalha estão com os personagens em tamanho real, não em SD (super deformed) como os jogos anteriores da série, além de contar com animações lindíssimas das summon materia (magias onde você chama um monstrão pra te ajudar).

a trilha sonora foi composta por ninguém mais, ninguém menos que nobuo uematsu - japa fodão que fez uma porrada de trilhas sonoras para vários final fantasys. esse cara conseguiu me fazer ouvir vozes na música de abertura do final fantasy VI para snes, e olha que o sistema não tinha como aguentar esse tipo de sofisticação.

ah... chega. vou ficar babando ovo desse jogo eternamente: é quase perfeito.

que venha o final fantasy XII.

30.10.06

o que será que aconteceu com o stereophonics? depois de albums de início de carreira primorosos, eles me vêm com um negócio ("negócio" simplesmente por não existir termo melhor que não seja pejorativo) chamado language, sex, violence, other? - tão super produzido que na primeira faixa quase não se percebem os tons rasgados bonitos da voz de kelly jones. o disco todo é uma confusão de arranjos, com camadas e mais camadas de instrumentos e timbres tirados, do túnel do tempo, dos anos 80. mas não se engane: não são timbres bacanas feito a galera do franz ferdinand tira e nem tem o som fantasmagórico das guitarras do interpol; é algo muito mais kitsch e exagerado, lembrando até artistas como pet shop boys. isso até não seria de todo mal, não fosse a banda o stereophonics.

eu catei o album logo que ele saiu, em 2005 (que fique bem claro que sou fã de stereophonics, principalmente do assombrosamente talentoso perfomance and cocktails, cheio de guitarras distorcidas simples e bonitas - nada que uma gibson sg e um marshall jcm 800 não façam por você - e melodias fantásticas, explorando a voz metálica de kelly jones. o disco é um deleite para os ouvido) e, quando escutei, achei que não tinha entendido. que timbres ruins, e onde está a bela voz rasgada? tentei escutar de novo logo em seguida e o resultado foi o mesmo: estranhamento, desconforto, infelicidade.

experimentei dar bastante tempo ao disco; afinal, as vezes só entendemos um disco muito tempo após seu lançamento. escutei-o hoje. novamente, vieram-me as mesmas coisas infelizes, embora tenha uma ou outra música salvável - e justamente as que não enchem a voz de jones com reverb, chorus, delay e o raio que o parta. esse album é a prova de como um produtor pode destruir uma boa banda - ele simplesmente não sacou que nenhuma música se encaixa no estilo proposto. talvez a galera do stereophonics realmente estivesse procurando sonoridades novas, mas não essas, né pessoal?

isso tudo, ainda não falei do nome. meu deus do céu, que nome feio. se bem que tem a ver com uma das letras que me prendeu atenção no meio do album por ser simplesmente inacreditavelmente ruim: "suck my banana/ with a lot of weep cream".

saudades da época em que eles estavam apenas olhando, não comprando...

15.10.06

no ano de 2001 eu frequentava muito alguns canais de bate-papo no mIRC. conheci vários amigos que, mesmo longe, estão no meu coração até hoje. no mIRC descobri fãs de sigur rós quando quase ninguém aqui conhecia a banda, descobri piadas como o anal cunt e até mesmo bandas bonitas como o turin brakes.

dentre essas descobertas, está o abandoned pools. alter ego do multi-instrumentista e compositor norte-americano tommy walter, a banda me foi apresentada por um querido amigo do canal #grunge, o delay. lembro-me de ter gostado de cara das três músicas que ele me passou: the remedy, mercy kiss e blood.

essas três músicas estão no album de estréia da banda, que só realmente fui conhecer por inteiro anos depois, chamado humanistic, de 2001. e que album de estréia! músicas bonitas e nervosas, uma produção impecável e que, em alguns momentos, nos faz lembrar de smashing pumpkins - principalmente pelo tom anasalado de voz de tommy. as letras falam de aceitação e de amor, como quase toda banda de rock de hoje em dia, só que elas tem uma fúria e uma energia pouco-usual, além de idéias bem colocadas - "Then you can be the remedy/ And I can be the enemy/ And he can go and live as nothing/ They you can be the wanna be/ And I can be the remedy/ And he can go to hell for all I care" é de uma fúria contagiante.

o abandoned pools é uma banda injustiçada pela falta de exposição na mídia em geral, pois tommy walter é absurdamente talentoso e merecia um lugar ao sol. infelizmente, vários artistas absurdamente talentosos gozam do mesmo destino triste que ele.

11.10.06

eu me lembro claramente de quando ganhei o mega drive. o video game ainda não existia em terras tupiniquins - meus pais conseguiram para mim uma versão importada do japão através de uma amiga deles. lembro da caixa branca, do video-game preto com o "16-bit" dourado (coisa que não existia na versão brasileira e nem no gênesis), e da felicidade que foi jogar os primeiros jogos - quase todos importados do paraguay. dentre esses títulos, o que me lembro com mais claridade é o batman, um plataformer de boa qualidade e gráficos impressionantes (para quem só jogava famicom e master system, o mega drive era um colírio para os olhos).

aí eu coloquei as mãos no primeiro sonic. nunca mais minha vida foi a mesma: nunca tinha visto um jogo com gráficos tão legais, tão rápido, tão cativante! era muito melhor que qualquer jogo do mario - o sonic representava tudo aquilo que o mario nunca foi: velocidade, atitude, etc. o ouriço era cool.

aí o mega drive foi lançado no brasil. ele vinha acompanhado de um jogo (que sempre achei chatíssimo) chamado altered beast e nem sinal do sonic nas prateleiras. ainda assim, eu queria jogar alguns títulos que estavam saindo por aqui e os cartuchos brasileiros não entravam no meu video-game japonês. comprei um novo, brazuca, lançado aqui pela tec-toy (que fez um trabalho maravilhoso com a sega aqui no brasil, praticamente destruindo toda a concorrência que a nintendo poderia ter durante a guerra dos 16-bits).

daí eu consegui uma cópia americana do sonic 2. o melhor jogo da minha vida até então. ele foi a razão da minha primeira virada de noite - e tal lembrança ainda resiste de tanto que esse jogo significou para mim. outro jogo que me marcou profundamente foi landstalker - lembro-me de tê-lo alugado e ficado dias e dias com ele, não querendo devolver. assim que os emuladores de gênesis chegaram a um nível bom o suficiente para jogar jogos comerciais, fui atrás que nem um louco da rom. naquela época era difícil achar jogos de mega e landstalker, sendo um rpg, mais ainda.

eis então que, anos depois, baixo o emulador de gênesis novamente e boto as mãos no phantasy star IV - jogo que na época me fazia babar nas revistas de video-game (alguém aí se lembra da game power?) - e percebo ser um dos melhores rpgs que já joguei em minha vida. comecei a procurar mais coisa sobre o universo phantasy star na internet e descubro vários sites, desde aqueles falando da tristeza dos gamers americanos (e por que não mundiais) ao saber que o remake de phantasy star II nunca verá luz nos estados unidos, até aqueles com reviews, entrevistas e factos sobre o antigo console da sega.

dentre esses sites eu tenho que destacar o www.sega-16.com. o logo do site diz tudo: come for the games, stay for the memories. cheio de entrevistas, resenhas e artigos sobre o nosso querido genny e os jogos lançados (ou não) para ele, o site é genial. uma volta gostosa ao passado, um antro de informações sobre o video game da sega.

vale a pena uma olhada; se não pelos jogos, apenas pela memória :)

7.10.06

a primeira vez que tive contato com um album que "cria um ambiente em torno de si" (em explicação ao post passado) foi com o acústico do alice in chains. as melodias menores e harmonizadas, geralmente escondidas nos albuns por guitarras distorcidas e estruturas up-tempo, floresceram como em nenhum outro album da banda, tomando corpo e criando uma grande sensação que percorre todo o album. é como se ele mostrasse as várias nuances de um mesmo sentimento e/ou sensação, explicando com música o que, muitas vezes, não consegue se dizer com palavras.

é claro que isso tem a ver com a aproximação que temos de música. naquela época do acústico do alice in chains, eu escutava muito as bandas grunges, mas apenas o nirvana (com o sensacional - e único dos grunges que continuo realmente escutando até hoje - in utero) e o alice in chains conseguiram a proeza de criar disco que criam ambientes em torno de si.

ao ir amadurecendo meus gostos musicais, fui descobrindo cada vez mais o indie rock (na época em que era obscuro escutar weezer) e bandas que exploravam sonoridades mais estranhas, mas igualmente belas. conheci inúmeras bandas e dei uma segunda chance ao radiohead (quando eu era moleque, eu ouvi o the bends e tinha achado uma porcaria - anos depois isso mudou um pouco e hoje é talvez, junto com o sigur rós, minha banda favorita).

o disco que mudou minha maneira de ouvir música foi do radiohead: o ok computer. ele é um disco que leva ao extremo o conceito de "criar um ambiente em torno de si" ao ser um loosely concept album (apenas por não achar termo melhor em português) sobre a vida moderna, mas não de forma acusatória ou "para fora", e sim através de grandes anthems introspectivos e reflexivos sobre o que passamos no nosso mundo tumultuado. e mesmo após quase 10 anos (!!!) continua um album atual.

pequena lista de albums que "criam um ambiente em torno de si" (existem muitos outros, vou citar apenas alguns que vem à cabeça agora):
nirvana, in utero
alice in chains, unplugged
weezer, pinkerton
radiohead, ok computer
radiohead, kid a
sigur rós, agaetis byrjun
sigur rós, ()
sigur rós, takk
my bloody valentine, loveless
the beach boys, pet sounds
death cab for cutie, transatlanticism
slint, spiderland
queens of the stone age, rated r

e por aí vai. um dia farei uma lista mais completa. :>